Vejo

coração em chamas

vejo uma cidade
cinza, apagada
é madrugada
a escuridão a tudo encobre

vejo mais de perto os edifícios
pouquíssimas luzes, lâmpadas, tevês
iluminam artificialmente
cômodos de almas insones

(me aproximo um pouco mais)

vejo pela janela de um quarto
um brilho muito forte
algo extraordinário
irradia daquele apartamento

vejo ali uma pessoa queimando
joelhos dobrados, rosto no pó
lágrimas descendo ao chão
clamores subindo, subindo, subindo sem parar

(me afasto de súbito)

vejo que a luz daquele quarto
começa a brilhar em outros pontos da cidade
mais pessoas agora ardem
amor, fé, esperança

vejo a escuridão evanescendo
apesar de ainda ser madrugada
sempre é dia
para quem do Sol da Justiça nunca se afasta

(o que você vê?)


Autor: Luciano Motta

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