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Vejo

coração em chamas

vejo uma cidade
cinza, apagada
é madrugada
a escuridão a tudo encobre

vejo mais de perto os edifícios
pouquíssimas luzes, lâmpadas, tevês
iluminam artificialmente
cômodos de almas insones

(me aproximo um pouco mais)

vejo pela janela de um quarto
um brilho muito forte
algo extraordinário
irradia daquele apartamento

vejo ali uma pessoa queimando
joelhos dobrados, rosto no pó
lágrimas descendo ao chão
clamores subindo, subindo, subindo sem parar

(me afasto de súbito)

vejo que a luz daquele quarto
começa a brilhar em outros pontos da cidade
mais pessoas agora ardem
amor, fé, esperança

vejo a escuridão evanescendo
apesar de ainda ser madrugada
sempre é dia
para quem do Sol da Justiça nunca se afasta

(o que você vê?)


Autor: Luciano Motta

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falando de saudade…

Saudade

não diga que isso é saudade
essa mensagem de texto
essas palavras bem combinadas no chat
esses pixels amestrados na tela
sentimentos em cena
isso não é saudade

não, não diga que está morrendo
de saudade
sem nunca querer velar o corpo
da ausência

saudade, saudade mesmo
trapaceia o relógio
quebra o porquinho
e percorre quaisquer distâncias

fale de saudade
mas evita intermediários

pelo teclado
não se efetua o abraço
nem se é aquecido pela presença daquele
por quem o coração tanto dói

pela tela
não se respira o ar
nem se fitam os olhos…
onde andam seus olhos?

saudade é saúde
é sinal de que se está vivo
ainda que morrendo aos poucos
até se respirar o encontro

Autor: Luciano Motta

* Este poema foi selecionado e publicado na Antologia de textos em homenagem aos 100 anos de Vinicius de Moraes – Prêmio UFF de Literatura 2013. Niterói: Editora da UFF, 2013, p.42-43.

Aconteceu no último dia 17/12/13 o lançamento oficial da Antologia de poemas, crônicas e contos em homenagem a Vinicius de Moraes. A cerimônia de entrega do Prêmio UFF de Literatura 2013 aconteceu no auditório da Academia Fluminense de Letras, em Niterói. Meu poema “Falando de saudade” foi selecionado e publicado na Antologia. Quero dividir aqui no blog a minha alegria. Continuem na torcida, pois outros prêmios virão! Agradeço a Deus e a minha esposa Ana Cristina – vocês são a grande inspiração da minha vida!

Capa Livro Premio UFF 2013

Certificado Premio UFF 2013

Vencedores Premio UFF 2013-2

Minha saudade se chama eternidade

Saudade Eternidade

É estranho perceber como a realidade presente é tão insatisfatória.
Estamos sempre com saudades.
Mas com saudades de que? De quem?
Medimos essa falta, esse vazio no peito por coisas vividas.
Por pessoas que não estão naquele determinado momento da nossa vida.
Mas quando as encontramos ficamos com saudades de outras!

É irônico perceber que vivemos por saudades.
Saudades de uma pizza que comemos na noite passada.
Saudades de um passeio que não levamos máquina fotográfica.
Saudades dos eventos da escola no ensino médio.
Saudades, saudades…

E assim só nos damos conta do presente quando ele vira passado.

Será que não conseguimos perceber que, como disse C.S.Lewis, se encontramos desejos que esse mundo não consegue satisfazer-nos, só podemos concluir que não fomos feitos para “este lugar”?
Existe um buraco negro dentro de nós que cismamos de nomeá-lo “saudades”.
Mas a essa nomenclatura eu me atrevo definir ETERNIDADE.
Não estou falando do céu, ou outra dimensão que só está disponível após a morte.
Estou falando de algo fora do tempo invadindo o nosso presente.
Estou falando do aqui e do agora.
O conhecimento da Glória de Deus em uma versão que jamais poderíamos sugerir ou imaginar.
Talvez o livro com a história da humanidade inspirado divinamente?
Ou a cultura de um povo escolhido pelo próprio Deus?
A natureza?
Não, não e NÃO!
É bem maior!
O que então?

O Filho de Deus abrindo mão da Sua Glória, se tornando homem, vivendo como nós, morrendo por nós e ressuscitando para nós.
O MAIOR conhecimento que Deus poderia dar de Si mesmo à nós, meros seres mortais, está na face do Seu Filho.

Minha vida começou de verdade quando fui descoberta por essa realidade.
A satisfação começou a sair da superficialidade de poucos minutos de prazer e começou a penetrar o profundo da minha alma.
Que os nossos olhos sejam abertos para a grandiosidade do que é a VIDA ETERNA.
Ela já começou, ela já está disponível.

MINHA SAUDADE SE CHAMA ETERNIDADE!

Reflexão de Isabelle Albuquerque

A estrela e o lápis

Estrela cadente

Uma história criada por Luana Pina e Rebeca Arã.

Era uma vez uma estrela cadente que caiu. Mas em que lugar? Ela caiu em uma casa.

Dentro da casa morava a mãe e a filha. O pai morreu, e foi muito triste. Mas estamos falando da estrela. A filha viu um lápis diferente em cima da sua mesa, e perguntou: “Mãe, a senhora comprou um lápis novo?”

A mãe respondeu: “Não, filha.”

A filha disse: “Tem um lápis diferente em cima da mesa, vem ver!”

“Que lápis lindo, filha. Foi você que comprou?”

“Não, mãe. Não fui eu não!”

A filha foi pra escola. Todos elogiaram o lápis dela, dizendo: “Que lindo! Que bonito! Adorei!”

Ela fazia pedidos, e se realizavam todos os desejos. Pensava que era mágica.

Um dia, o lápis, que ela achava diferente, disse: “Eu sou uma estrela cadente.” Ela não entendeu, mas a estrela disse que caiu na casa dela bem em cima de um lápis.

Ela começou a acreditar e disse para a mãe: “Mãe, não tem aquele lápis? Ele falou comigo.”

“Que nada! Lápis não fala!”

“Tá bom, você é que não acredita.”

Nunca contou pra ninguém. E morreu. O lápis nunca mais foi encontrado.

Fim!

. . .

Essa história foi escrita por minha filha Luana, de 8 anos, junto com sua amiga Rebeca, um pouco mais velha do que ela. Foi mais ou menos aos 8 anos que comecei a escrever minhas primeiras histórias. Fiquei muito feliz pela criatividade da minha filha, e então quis registrar seu pequeno conto aqui no blog.

Equilibrista

balança

balança feito um bêbado
sonhador
mas não está num botequim
apenas encara outro fim
de expediente
o corredor do coletivo
é sua corda

bamba

esperança

esperança de um trôpego
trabalhador
tenta pôr em ordem
os desatinos de ontem
descrente
sua vida é um passivo
que não concorda

descamba


Autor: Luciano Motta

No último mês de outubro, a Associação Brasileira de Desenho e Artes Visuais e a Casa de Cultura de Araruama promoveram o I Salão de Artes Plásticas e Literatura.

Fui premiado com a medalha de ouro na categoria Literatura. Três poemas de minha autoria estavam em exposição: Vias, Esteio e Mal Armado.

Agradeço aos membros da Associação e especialmente a minha mãe Antonia Lucia (artista plástica de primeira!) que tanto me incentiva a continuar escrevendo, divulgando meus trabalhos. Abaixo seguem algumas fotos do evento: