Arquivo mensal: maio 2011

Antologia Literária Essências

Olá, leitores e amigos. É com muita alegria que compartilho com vocês a Primeira Antologia Literária da Região dos Lagos “ESSÊNCIAS”, na qual estão publicados dois poemas de minha autoria: “Nascer de novo” e “Monoliticidade”.

Eis a resenha do livro no site da Editora All Print:

“Não é fácil apresentar uma antologia de textos dispersos em diferentes estilos. De modo geral, as antologias se alinham conforme gêneros, épocas, temas, gerações, enfim, algum fio condutor capaz de lhes garantir coerência, facilitando, com isso, a tarefa do apresentador. Pois bem, no caso da presente antologia, nada disso ocorre. Embora haja uma unidade de propósitos (os textos primam pela subjetividade), eles se diversificam quanto ao estilo e gênero e ao tratamento do tema. Existem poemas, crônicas, pequenos contos, simples relatos, sem um horizonte específico; ao contrário, são produções espontâneas, fruto de uma literatura ainda, em grande parte, confessional, girando, na maior parte das vezes, nos enigmas enovelados do amor.”

A Academia de Letras e Artes da Região dos Lagos convida para Lançamento do livro no dia 28 de maio, das 18:00 às 19:00 h, no Museu José de Dome (Charitas), Centro de Cabo Frio. Presença do Presidente da Federação das Academias do Estado de São Paulo (FALASP) Conde Thiago de Menezes.

Após o lançamento, recepção no Ateliê de Eliane Guedes, Rua Francisco Paranhos, 428, Vila Nova – Cabo Frio, com várias apresentações artísticas e culturais.

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Poesia matemática

Às folhas tantas
do livro matemático
um Quociente apaixonou-se
um dia
doidamente
por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
e viu-a do ápice à base
uma figura ímpar;
olhos rombóides, boca trapezóide,
corpo retangular, seios esferóides.
Fez de sua uma vida
paralela à dela
até que se encontraram
no infinito.
“Quem és tu?”, indagou ele
em ânsia radical.
“Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa.”
E de falarem descobriram que eram
(o que em aritmética corresponde
a almas irmãs)
primos entre si.
E assim se amaram
ao quadrado da velocidade da luz
numa sexta potenciação
traçando
ao sabor do momento
e da paixão
retas, curvas, círculos e linhas sinoidais
nos jardins da quarta dimensão.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidiana
e os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E enfim resolveram se casar
constituir um lar,
mais que um lar,
um perpendicular.
Convidaram para padrinhos
o Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
sonhando com uma felicidade
integral e diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones
muito engraçadinhos.
E foram felizes
até aquele dia
em que tudo vira afinal
monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum
freqüentador de círculos concêntricos,
viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
uma grandeza absoluta
e reduziu-a a um denominador comum.
Ele, Quociente, percebeu
que com ela não formava mais um todo,
uma unidade.
Era o triângulo,
tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era uma fração,
a mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade
e tudo que era espúrio passou a ser
moralidade
como aliás em qualquer
sociedade.


Autor: Millôr Fernandes

Texto extraído do livro “Tempo e Contratempo”, Edições O Cruzeiro – Rio de Janeiro, 1954, pág. sem número, publicado com o pseudônimo de Vão Gogo.

Do site Releituras.

Síndrome do coração vazio

Será verdade? Essa tal liberdade de sentimentos?
Tão estranho pra mim, um devaneio
Um não esperado forasteiro
que se apegou ao meu peito,
e me disse com jeito
-Agora sou só eu…
eu só, e por enquanto
não tem jeito.
Um momento inédito na vida
É tão estranho pra mim…
Se instalou, me pegou desprevenida
e me deixou pasma com a paz que me invadiu…
Sinceramente nunca pensei em algo assim,
Por muito tempo fiquei fora de mim…
Um momento comigo, aqui dentro assim
me fez pensar…
Há quanto tempo não fico só, eu e o meu coração?

Só espero que não dure muito tempo não…


Autora: Rosiane do blog Detalhes